Por trás do artigo | Lussarina Oliveira Lima

Sobre o artigo

O nosso trabalho sobre é mortalidade de plantas durante a seca, focando nos mecanismos fisiológicos subjacentes e nos limiares que levam a mortalidade. Como estes limiares variam consideravelmente de uma espécie para outra, ainda não temos conhecimento sobre esses valores para as árvores das Floresta Tropical Sazonalmente Seca. Para prever a mortalidade da vegetação em grande escala, é necessário compreender como os diferentes tipos funcionais de plantas sucumbem à seca; por isso, buscamos fornecer mais informações sobre a fisiologia de plantas nessas áreas. 

Em nosso artigo procuramos determinar se os limiares de perda de condutância hidráulica ou de conteúdo de água no caule permitem prever com maior precisão a mortalidade induzida pela seca em duas espécies de uma Floresta Tropical Sazonalmente Seca que apresentam fenologia foliar contrastante. 

Nossos principais achados demonstram que o conteúdo de água no caule foi um melhor preditor de mortalidade de plantas durante a seca e que ambas as espécies foram capazes de sobreviver a perdas extremas no transporte de água. Nossos resultados desafiam a suposição predominante de que certos limiares críticos de Perda de Condutância hidráulica sempre causam mortalidade. Por fim, os limiares de conteúdo de água no caule que encontramos para a espécie perene podem ser integrados a modelos e permitir maior precisão na previsão de mortalidade de plantas induzidas pela seca.  

Cordia oncocalyx, uma das espécies do estudo em recuperação após o experimento de seca (Créditos: Lussarina Lima)

Sobre a pesquisa

O experimento foi realizado em uma casa de vegetação na Universidade Federal do Ceará, Ceará – Brasil entre março e outubro de 2024. Submetemos as mudas das espécies a um tratamento de seca e coletamos vários dados fisiológicos das plantas, tais como medições de trocas gasosas, conteúdo de água no caule, medidas de crescimento, conteúdo de água do solo entre outras. Essas medidas foram periodicas para acompanhar as respostas fisiológicas das plantas e sua mortalidade. Um desafio do experimento era saber se a medida que retiravamos as plantas da seca elas estariam mortas ou não. Já que apenas a senescência das folhas não podia indicar, pois uma das espécies é decídua (ou seja, perde suas folhas em períodos de seca). Então submetemos as plantas que passaram pela seca a um tratamento de reidratação, assim consideramos mortos os indivíduos não produziram quaisquer novos tecidos após dois meses de reidratação. 

Fiquei surpresa em ver que ambas as espécies conseguiram sobreviver mesmo após uma perderem muito da sua condutância hidráulica. Já que alguns trabalhos com espécies de outras regiões as plantas normalmente morrem antes de atingir perdas consideraveis. Acredito que o próximo passo seja buscar validar se os limiares de conteúdo de água do caule juntamente com outros parâmetros hidráulicos conseguem melhorar a predição da mortalidade de plantas adultas in situ durante eventos de seca.

Sobre a autora

A autora, Lussarina Lima, realizando medições de troca gasosa durante o experimento de seca (Créditos: Cleiton Eller)

Desde muito cedo já gostava de temas relacionados à natureza, da diversidade de interações que existiam, e os conteúdos de ecologia eram os que me despertavam maios interesse. Fiz minha graduação em Ciências Biológicas no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).  Durante as disciplinas Ecologia fiquei ainda mais interessada o que me levou a fazer meu trabalho de conclusão de curso nesta área, na ecologia vegetal. Minha orientadora Amanda na época me impulsionou a seguir com pesquisas nesta área. Foi então que comecei a fazer o mestrado em Ecologia e Recursos Naturais na Universidade Federal do Ceará e iniciei o trabalho com ecofisiologia vegetal sob orientação do professor Eller. Este artigo é fruto do meu experimento de mestrado e fiquei muito feliz em publicar em uma revista de alto impacto. Além de que este é o primeiro artigo que publico, então espero que eu consiga ter exito em trabalhos futuros.  

Atualmente estou no meu segundo ano de doutorado trabalhando na mesma área de concentração. Busco contribuir com novos conhecimentos sobre as respostas fisiológicas de plantas, principalmente à seca, ajudando a prever como a vegetação se comportará diante de cenários cada vez mais severos de mudanças climáticas. Além da pesquisa estou atuando como professora. O que mais gosto de fazer é ouvir música e explorar paisagens naturais, sempre me encanta a beleza da natureza. Um obstaculo na carreira científica aqui no Brasil é o baixo investimento em pesquisas, isso dificulta a realização de pesquisas mais aprofundadadas juntamente com baixos valores de bolsas para os pos graduandos, o que dificulta se manter apenas com a pesquisa.  

Se eu pudesse dar um conselho importante a minha versão mais jovem seria: “Comece mesmo com medo e arrisque-se mais”. 

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